sexta-feira, 7 de julho de 2017

Já nada me irrita! (Original)

Tento me compreender,
Conter-me sem te prender,
Ser teu sem me perder,
Comprometer-me sem te pretender.

Saber o que não me contas,
Algo para somar às tuas contas,
Consumir sem prestar contas,
Para consumar algo incerto, no final de contas.
Começo-te a subtrair nas minhas contas,
E gostava que a vida permanecesse um aglomerado de “fazer de contas”.

Tento te pretender,
Conter-me sem me perder,
Ser teu sem me prender,
Comprometer-me sem te compreender,

Mas regressas mesmo após te afastar,
Não sei o que comigo te faz estar …
Um beijo, uma festa, um perfume que enfesta um leve ar?
Um dia vou te levar para a praia, para a beira-mar.
Gosto de ti! Vem para a minha beira, quero te amar.
Juro que os teus pés [não] irei lavar,
Juro que em teu redor [não] irei orbitar.
Entramos num barco começamos a remar,
Rema, remo, tremo, mas a algum sítio te hei de levar,
Instável, vivo num extremo, e não sei ao certo o que fará este barco flutuar.

Tento não me perder,
Conter-me e te compreender,
Ser teu e te pretender,
Comprometer-me e me prender.

Às vezes acordo a meio da noite e ouço-a a me chamar,
Suplica-me para mergulhar,
O barco é pequeno, o oceano é colossal,
O barco é seguro, tudo o resto é sal.
A vida é um momento, é tudo tão banal,
Arrisca-se no momento para se sentir algo real,
E eu não sei se ela é a tal!
Na plenitude da minha latência fico deitado no barco a ver o por-do-sol,
Com a mão direita na água salgada, à espera que o mar devolva o meu coração,
Já não sei o que é sentir empatia ou afeção!
A minha mão esquerda continua a escrever silenciosas palavras de insegurança e desilusão.

Tento não me prender
Conter-me e te pretender
Ser teu e te compreender
Comprometer-me e me perder.

Fugi da nau num exíguo bote,
Acompanhado por um tigre, a vida de Mi.
No bote tentei salvar vidas, mesmo sendo incapaz de me salvar a mim.
Não foi um naufrágio, não, o barco era um mero mote.

Agora estou no diligente e repleto Porto,
Inerte no meu conforto,
Seguro, mas vazio e morto.
Azio vendo a simplicidade do que escrevo, mas nada me irrita,
Apesar de sentir o ácido, alegro-me por algo ser simples, leve e básico.
Nada me irrita, nada me irrita … até tudo me irritar,
Até de ti me fartar …
Ri-te, ris-te vendo o desconforto no meu olhar,
Fujo, sujo vendo a verdade a me avassalar.

A minha alma grita pelo processo egoísta da minha escrita,
Uma inquietude abismal, talvez precise de um exorcista, um espirita.
Estou a ser um hipócrita demasiado otimista, e é isto o que me irrita:
“Não amo pessoas ao ponto de lhes dar a minha fé.”
Por vezes penso que não vale a pena manter-me de pé,
Deveria ajoelhar-me e cantar uma vulgar devota melodia em Ré …
Mas hoje está um dia demasiado quente, para se ser um inócuo crente.
Uma pupila dilatada, procura o ponto de impulso máximo, a mediana. Já se sente!
Prepara-se para cravar uma cruz de cristal no cerne de um modo benevolente.
Quis cristo fazer a minha aorta em formato de crossa,
E o meu coração rígido para que amar não possa.
Demasiado público, demasiados espectadores, esta realidade é muito pouco nossa,
Mas, no meio da multidão, ainda sentes algo ...
E ris-te porque a vida tem um sentido de humor sádico e triste, e insiste escrever os teus versos em prosa. 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

[F]é ! (Original)

Deus, porque me sinto tão sozinho?
Sei que Te trato como se nada fosses pois, em mim, és mero vácuo. [Vazio!]
Mas é assim que também os trato: parto-os, junto os cacos e arrumo-os no mesmo saco. [Adio!]
Visto o casaco e finjo não ver o frio que irradio e ressoa no vidro de mais um copo de vinho.

Assim percorro mais um caminho, uma palpável desgraça, consigo tocá-la com o mindinho.
“Meu filho, quem te magoou? Porque temes calor, afeção, carinho?"
Onde está a minha alma, Baco? Diz-me que há algo entre o palhaço e o velhaco?
Diz-me que, ao menos, sou algo, algo de verdade, e ilumina-me para fora desta cova, este buraco.

Cremei esperança, dilui confiança,
Asfixiei a aliança, enterrei a criança!
Dissequei o encéfalo de um crente,
Procurei a área do neocórtex que estivesse dormente,
[Mas não encontrei!]
No desespero bati com a cabeça na parede incessantemente,
[Mas a resposta ... essa não achei!]
Bati, gritei!
[Ninguém respondeu ou talvez simplesmente não me dei]
Espanquei, berrei ... até os sons começarem harmonizar em Ré,
Ré ... uma calma melodia de embalar em Ré!
Mas ainda não tenho fé!
Deus, por vezes é escusado permanecer em pé.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Um Singelo Elo Amarelo (original)

A matéria é um complexo aglomerado de elos entre átomos,
Nós que, com mais ou menos energia, poderão ser quebrados!
Contudo, há um elo que não pode pelo vento ser erodido.
Nem com a força de um martelo poderíamos abalá-lo.
Nem mesmo uma colisão de estrelas de neutrões poderia separá-lo!
Um laço que não pode ser ensinado por um erudito
E seria um erro dito à sua fisiologia limitá-lo,
A oxitocina não pode explicar a resiliência materna,
O desespero de um filho ao ver a sua mãe inquieta,
E a procura inata pela mútua felicidade bruta,
Mesmo quando se é dominado por uma postura fria e abrupta.
É um sentimento que nos entranha de um modo impetuoso e belo.
[Um elo que nunca é dourado, mas sim amarelo.
A ligação não é algo que possa ser comprado ou comparado.
Não é algo que possa ser ensinado, terá de ser meramente dado.]

Nas diversas formas de se estar,
Na panóplia de formas de se estimar,
Estima-se que a existência seja algo mais que uma experiência aleatória e incerta.
Mas isso, certamente, será algo a que nos teremos de acostumar!
A vida é acostumada a uma obra incompleta,
Uma estrutura em pouca ou nada concreta,
Sempre a uma pincelada de distância da plenitude.
Onde o tempo nunca é um momento,
E o espaço é uma constante vicissitude.

Preenche-se o quadro com traços desvinculados, em tons de cinzento,
Riscos demarcados pela fobia ao branco, a um vazio rude e violento.
Mas a tela é translúcida e, por entre riscos intersetados de um modo singelo,
O vínculo materno surge em tonalidades de amarelo,
E, por isso, há quem diga que o compositor é o Sol,
Aquele que surge numa fria manhã de Inverno,
Daquelas que não podem ser aquecidas por mais um lençol.
Surge para irradiar algo quente e terno,
Enquanto contínua a gerar matéria no seu cerne.
Há quem diga que a sua existência é perene,
Todavia, ambos sabemos que tal não é vero ou solene.
Há um fim para tudo aquilo que seja uma conceção humana!
Vivemos em intervalos de tempo!
Num finito aglomerado de instantes descrentes do seu fim.
Porém não deve ser o termo que dá valor ao presente,
Mas sim aquilo que se sente,

E mãe fazes-me sentir tão bem assim.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A Luz que o Fere! (Original)

Pego em vocábulos e os rearranjo.
Não sou um anjo!
Porém, numa diminuta porção do meu ser que não asi,
Algures na casualidade da nomenclatura em que nasci,
Talvez serei um Querubim.
Aquele que é como Deus!
E digo-te que Deus é exatamente assim em mim,
Um bicho sádico e ruim.
Sou um Querubim, fim!
Já te tinha dito, uma vez, que sou o último herdeiro do legado de Caim,
E foi dele que provim ... muito longe desse esbelto manequim,
Mas continuo a ser um Querubim, enfim!

A inocência é a minha míngua ...
E articulando, mais uma vez, a minha bifurcada língua,
Fixando em ti o meu olhar carmesim,
Pergunto-te porque é que o meu Irmão caiu ... pouco são,
E Tu ficaste quieto nessa tua estagnação,
Aceitaste a gravidade e a Universal atração,
E deixaste Vénus, cair para ficares na escuridão,
No obscuro ... sem essa luminosidade que interfere. 
Deus, sabes o quão a Luz o Fere?!
A lâmpada é sustentada com o que é vero e a intensidade não se mede em ampere.

Deixaste cair … para fingires que não vês a tua própria intenção!
E eu fiquei por aqui caminhando em vão,
No caminho de Deuses e Monstros,
Incapaz de ver o reflexo do Deus que existe em mim!
Transcendendo reflexos ocos.
Vendo muito para além de perplexos rostos.
Arranjando os meus encostos.
Modificando os meus pressupostos.
Até encontrar uma viável intenção para mais um fim.
                                                                                                                     
Dá-me a Maçã, e eu a devorarei como essa víbora que sou,
Mas primeiro te instigarei a dentá-la, pois nunca se sabe o que não se provou!
O [n]Éter libertado será colocado no Santo Graal,
E consumido como não se tratasse de nada em especial.
Em retorno dar-te-ei dois cálidos gélidos beijos,
Um, vindo de Magdalá, da Torre de Deus,
Dado por Aquela que nunca Lhe pode dizer [a]Deus.
Mas performou a  metamorfose de um canonizado bordel num Edénico Jardim!
Um milagre, sim!
Um beijo exposto por uma maresia da heresia de onde advim.
O outro, vindo diretamente dos lábios de Iscariotes
Sem presságios ou motes!
Sobrevalorizado em moedas de prata.
E se ainda não percebeste a sátira ... pensa que pensar não te mata,
E agora ignorando o modelo literário vinculado em mais uma ata …
"Pinto os pedaços em branco da minha obra com sangue coagulado
Nesta minha obra ela ainda está a meu lado e o que temos ainda é desejado,
Eu ainda não fui desolado e estou de seu lado,
O meu coração não foi estirado, distendido e rasgado!
E eu ainda não fui vencido pela falta de sentido e aleatoriedade."

domingo, 27 de setembro de 2015

Gratidão Vs. Desilusão (Original)

“Lentamente afogo-me [voo!] nas profundezas de um oceano colossal,
Eu? Eu sou um anjo magoado que caiu ao mar e se apaixonou pelo sal.”
Há algo nesta edénica representação apoteótica que o sodomiza … que o domina,
É uma perda de controlo palpável que estimula muito mais que a génese de adrenalina!
O incorrupto mar salgado entranha como sangue que sai numa sangria,
Deixa a alma num caos e o corpo já não é salvo pela letargia,
Penetra e corrói deixando muito mais que meras feridas … meras cefaleias
E a apatia desfigura-se numa pergunta “É mesmo só isto aquilo que anseias?”                        
O volátil etanol cria dúvidas no que é certo …
Suaves dúvidas tão pouco dúbias que afastam o que está tão perto!
As irresoluções dogmáticas de um cego
Aconchegam mais um sôfrego ego,
Mas não deixa de estar seco,
E incapaz de reconhecer o seu próprio eco.
Não tem tempo para pedir os seus perdões,
Para fazer as suas confissões!
Delira com as suas breves, ténues e amenas hesitações,
Que surgem para uma pergunta para a qual tem resposta …
A ressaca vem e amplia a depressão anteriormente imposta.
A crise existencial torna-se um facto!
E sai do palco para se sentar na plateia … esperando o próximo ato,
Na certeza de saber que sem ele o espetáculo contínua em todo o seu sentido lato!
Contudo, esperando que a sua curta interpretação tenha provocado algum impacto.
Desejando ter tido uma influência positiva e não ter sido apenas um banal ornato.
E tu? Já deste espaço ao teu pequeno ser de tentar, errar e depois sentir-se grato?
Porque esperas tanto por esse teu próximo ato?!
Desilude-te e sente-te grato … eu sei que não é inato!
Mas basta colocares um pouco de glutamato,
Umas pitadas de aspartato
Nesse teu neuropatológico desacato.
Nessa tua exígua depressão.
Nesse teu ignóbil globo cheio de [des]ilusão.
Acorda besta, acorda!
Sabes mesmo o que fazer com a corda?
Acorda e sente por uns segundos uma fração de gratidão
Pois nem tudo o que te rodeia é essa ilusória podridão!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Adormeci na sombra do que fui (Original)

Adormeci na sombra do que fui,
E fiquei num canto esperando ser espicaçado por algo que jamais criei,
Não criei mas mesmo assim ainda a queria,
Não para ser minha cria, pois a criação não tinha dono,
Não era tua ou minha!
Não havia esse jeito possessivo,
Não se acreditava nessa forma contida de dar para se ter,
Pois não era o que tínhamos que nos mantinha vivo,
Mas mesmo assim o que perdíamos fazia-nos massivamente sofrer.

Tudo isto despelava em mim tamanha acracia,
Acracia que me fazia ver verde na luz avermelhada que me atraía,
Emanada por um farol de uma longínqua Ilha que desconhecia,
Todavia me impedia de focar no que em meu redor se sucumbia.

Os meus esborratados rascunhos amachucados em seu redor orbitavam,
Ocasionalmente chocavam e aglutinavam!
E amava-se porque se era chocado pela dimensão de alguns momentos,
E assim se amava ... de um modo desajeitado,
Para no fim, amachucado, se chocar com a desama do que se pensava consomado.

A posse gera dogmatismo e apatia!
Integrei-me ou entreguei-me mas nunca senti que pertencia.
Talvez porque só estimei a anarquia!
Mas mesmo assim lá fiquei à espera da claridade que o amanhecer traria.

Que [a]manhã venha e traga serenidade e claridade,
Que a claridade seja muito mais que clareza,
Muito mais ainda de que verdade!
Muito mais que uma certeza…
Que a claridade seja a carência de omissão,
A míngua de um oblívio racional mas sem razão …
Que a claridade seja declarar sem eufemismos ou hipocrisia
Tudo o que se tem pensado mas não se proferia.

Que [a]manhã não sejam meros vocábulos ou antrópicos termos fabricados!
Que [a]manhã sejam ações, gestos e atos findados!
Que [a]manhã seja pragmático,
E me dê as suas chapadas com atitudes e não linguísticas sentenças.
Que [a]manhã seja algo pouco burocrático,
Algo que transcenda egos, valores e crenças!
[Mas já não sei do que falo!]
[A]manhã não persiste,
[A]manhã não sei bem em que consiste,
[A]manhã não existe,
E hoje o que deveria ter feito não me assiste.
A bússola aponta o Sul a Este.
E eu estou cansado deste ambiente só e agreste,
E na fatiga de um fim prolongado deito-me na sombra do que fomos,
Do que não voltaremos a ser,
Com J&B na mão direita … a estremecer,
E uma caneta, na esquerda, para registar tudo aquilo que não te sou capaz de dizer!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Lavaredas & Acracia (Original)

Deixa-me por os óculos e ver este cosmos como devia,
Deixa-me focar aquilo que jurei que jamais contemplaria,
Mas mesmo assim ainda a via ou vi-a [, escrevia!]
E havia algo agre mas palpável que com o meu toque se esmorecia.

Agora vejo Lavaredas & Acracia!
E percebo que já não sei nada do que sabia,
Que já não me assisto no reflexo que se consome na fraude do dia-a-dia,
No deixar-se apaticamente levar pela rotineira monotonia,
Na ingenuidade de encontrar respostas na ataraxia.

Sei que ainda estou numa alternativa via,
E perdi uma certa noção de saber como se cria.
Hoje encontrei paz outra vez na anarquia,
[Em destruir aquilo que pensei que me cobria!]
E partilhei-a com mais uma criatura em mais um gesto de prazerosa letargia.
Consenti a aceitação por um fragmento de mim que me seguia [, perseguia],
Aquela porção da qual, outrora, prometi que fugiria [, correria]!
Percebi, outra vez, que não sei expressar-me do modo que sabia,
Não sei, não sei o que sei, não sei o que tenho ou tinha, agora só vejo ...

Lavaredas & Acracia!
Um vulto latente que dormia
No regalo de uma cama fria!
E no conforto do fim perecia.

Suturei folhas em branco só porque me apetecia!
Assim, sem espaço para compor, amplio as minhas dioptrias de miopia.
E esse estriado músculo imolado, que por alguns vultos confusamente contraía,
Cronicamente coordenou-se com 3 balas disparadas no clímax da anarquia!
Já criei sem saber para que se cria,  
E tudo o que criei, criei para um dia se perder numa noite fria.
Agora arruíno para esquivar-me à cefaleia da ausência da cria,
E as minhas manhãs são aquecidas por ...

Lavaredas & Acracia!
Um vulto latente que dormia
No regalo de uma cama fria!
E no conforto do fim perecia.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Livre Final[mente]! (Original)

"Baseados em tudo construímos nós sobre Nós,
Atámos e mal apertamos!
Não houve sufoco e assim ficamos, propositadamente mal amarrados!
Tudo para quê mesmo? Para não nos magoarmos?
Para fingir que não nos amávamos?
Sim, amor, sim criatura, sim animal!
Como dois alienados por inter[im]pessoais relações  pisados,
Em teorias hedónicas e poligâmicas delirámos!
A aparente conexão perfeita entre o prazer e a felicidade.
Tudo planeado! Tudo estruturado!
Foste o meu hedonismo programado,
E o Éden é um jardim demasiado ínfimo e mal consumado,
Por isso, dá-me, simplesmente, a maçã!
Mas o que interessam palavras apagadas?
Se algo perto de nada fomos, agora, não somos nada.
Não somos nada.
Não somos nada.
Não somos nada.
No medo de tudo sermos, de um no outro nos perdermos,
Fingimos que a intimidade é apenas um aglomerado de meros carnais momentos.
Mas vê, vê, vê!
Não me olhes por segundos,
Não me vejas como um momento!
Ambos concordamos e por cima assinámos um contrato de repudia à paixão.
A apologia à inata atração.
Glorifica o prazer … e ainda te vejo no meu chão.
Mas numa anormal sociedade estruturada por normas,
Que se normalizam para que não as vejamos como anormais,
Porque somos mais uns astros com órbita por nós definida?
Deixa fluir, deixa-te cair, deixa-te levar,
Repudia as nossas próprias normas e flui, flui, flui!
Sinceramente não sei para quem estou a falar,
Não sei a quem me dirijo, nem sei porque estou isto de modo direto a verbalizar!
Sei que, de certo modo, procurando nada fiquei com parte de tudo.
E ainda te vejo, com esse teu olhar em tons esverdeados.
Não, não, não, os teus olhos não são verdes … essa íris é carmesim.
E verde é esta minha ilusória esperança.
Foi um perfeito fim, com um inicio que nunca aconteceu,
De certo modo foi sempre um fim e foi assim que se conviveu!
Tudo de tal modo artificial que se tornou saturado.
E sabíamos que íamos acabar assim,
Nós sabíamos tão bem que deste modo seria o fim.
O tempo passou,
O contrato expirou,
E eu continuo assim.
Se fomos fontes de prazer conjugal, diz-me [a]Deus, porque acabei assim?
Eu não queria nada disto.
Eu não queria nada.
Eu não queria.
Eu não!
Não!
Se programei atração, diz-me porque surgiu paixão?!
E diz-me porque surgiu no tempo errado.
Quero biologia, quero anatomia, quero animais!
Para um doido maníaco que fixa e busca controlo,
Este futuro incerto e descontrolado chega a ser uma fobia.
De mim nunca ouvirias um direto: “Fica!”
Porque foste ou pelo que foste
De qualquer modo já nem me deves encarar ainda.
Porque como dois magoados racionalistas concordamos repudiar amor,
E o quanto fomos destroçados!
E o quanto Outros nos magoaram.
Porque o meu tempo dissipa-se de um modo exponencial.
Porque tornaste-te demasiado especial.
E eu estou cansado!
Eu estou cansado!
Cansado!
Sabes? Não mereço grande parte das pessoas que conheço,
Tornam-se previsíveis cordas de arremesso.
Não me interessam porque em pouco ou nada as desconheço.
Mereço o pedaço de matéria com quem me deito mas não adormeço.
Um inócuo verde que me fixa ou fixava!
E sinto-me tentado retirar dele esperança.
O cheiro a carne queimada, carne usurpada.
Mas foi nada e em todo este nada tudo é um reflexo de uma mera lembrança,
Condensada nesse pedaço de lágrima que nunca chorei por ti.
Sempre soube o que eras e o que éramos.
E sempre o quis assim!
Há quanto tempo foi mesmo o fim, enfim?!
Terá existido mesmo um começo ou terá sido tudo um prolongado e previsível fim?
O protocolo racional usurpado em nome do batimento cardíaco aleatório e acelerado.
Com uma frequência que nunca fiz questão de prolongar.
De tão perto se ver deixa-se de olhar.
Fixa-se na pupila a contrair,
E ignora-se o modo como íris está a clarear.
Um inócuo aglomerado de tons esverdeados,
Que por apenas uma fração ínfima de sujeitos foram notados.
Não é verde, verdes são os teus e verde foi esta minha ilusória esperança."
E agora revejo o que disse, numa breve e subtil relembrança 
Não dói, estou livre e divago nas diversas tonalidades da mudança!

Agosto 2014

sábado, 6 de dezembro de 2014

Há quanto tempo não escrevo por ti? (Original)

Há quanto tempo não escrevo por ti?
Para ti, por mim, pelo que foste e és, enfim!
Para materializar o que contigo senti.
E o modo como sem ti morri e mudei,
E se tudo o que senti me deixou assim,
Tudo assim agora me deixou ... sem ti, em mim,
E tudo isto algures entre o princípio e mais um fim.
A fim de chegar a algo mais do que letargia,
A retoma da revolta pelo regresso da luta por algo que nos pertencia.

Há quanto tempo não deixo que me vejas?
Durante quanto tempo me viste assim?
Tanto me ouviste em ecos.
Que os teus gritos já não ressoam a minha noção de fim.
E se a vida for um aglomerado de reflexos,
Tu não foste um objeto meu, foste a imagem de mim.
Em tempos agarrar-te-ia com força pelo braço.
Em tempos talvez desse tudo pelo teu abraço.
Mas tudo está sempre a um miligrama de ser nada,
E a realidade é uma visão perspetivada por cegos!


E eu sabia que mais tarde ou mais cedo virias aqui parar.
Talvez para os meus motivos entender ou para simplesmente me observar.

Como se a verdade estivesse na interpretação de juras divulgadas,
E não no meu olhar!

Como se a intimidade fosse uma fachada editada em íntimas cavaqueias,
 Em sorrisos fabricados para esconder algo mais que múltiplas cefaleias!

Como se a afeição ficasse algures nas mensagens escritas mas nunca enviadas
Algures nas privadas entrelinhas de estrofes publicadas.

'Cruz de Cristal apontada ao cerne!
Sem Critério, prepara-se para a cravar,
Na certeza que nada nesta vida é perene e tudo, a seu tempo, acabará!'


domingo, 2 de novembro de 2014

A Metamorfose de Múltiplos Pareceres em Seres (Original)

E se a arte for a perceção fidedigna da realidade?
Diz-me, Wilde, cairias no radicalismo de dizer: “A arte não imita a vida, a vida imita a arte”?
Deus seria a imagem de um vero artista perante um vago objeto,
E tudo o resto, pincéis gastos que nunca nada avistam, mas em tudo vêem concreto!

Sou uma amostra de artista,
Que vem juntamente com mais um volume da revista: “Vamos fingir que está tudo correto!”.
Mas não sou vero, vero não existe,
Não persiste, vero é demasiado certo!

Fico num canto a estudar obras de “Veros Artistas”, daqueles a quem não se pode dizer um não.
Dedicados a uma antropologia aclamam deter a realidade com alguma exatidão.
Dissecam-No, percecionam-O e atribuem absolutismo a uma pessoal perceção,
A metamorfose de múltiplos pareceres em seres ... e o genérico que permanece vão!

Como se um padrão neurológico, uma alma, a deturpasse com o tempo,
Vejo a anatomia humana em diversas tonalidades de cinzento.
[Será que agora viste? Mais uma punchline com múltiplas referências?!
E termino mais uma coisa destas com as condolências ...
... a todos os que morreram com as suas certezas tentando emular verdadeiras ciências!] 

domingo, 26 de outubro de 2014

Consumismo (Original)

Já não há tempo para expressar o que se sente!
Já não se arranja mais um motivo para aquilo que não nos convence.
Para aquele lado que nos mente!
E o disformado reflexo já não manipula o crente.

Foi feito à imagem dele, dela, deles por mitose,
Mas não se conforma com a realidade e prefere morrer de cirrose.
O que sente de verdade? Isso nunca passa por osmose.
Vive viciado na fachada que consome muita além da recomendada dose

E no êxtase do consumismo espera o resultado positivo de mais uma overdose.
Morreria com positivos resultados, já não suporta o som do seu próprio gemido,
O consumidor que não consome mas é consumido!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

3:01 a.m. (Original)

Olha-me bem, vê o teu Divino reflexo no meu olhar carmesim!
Ouve-me bem, eu que sou o último herdeiro do legado de Caim,
Com a minha bifurcada língua digo num dos filhos do latim
Que sou eu quem cria o meu próprio Edénico jardim!                
Um perpétuo eco que pertence apenas a mim,
Nunca fui nem serei mais um inócuo Querubim!
Em todo meu livre-arbítrio serei deste modo, assim, enfim!
Uma rude e promíscua criatura, na repugna por esse esbelto e amigável manequim.
Não serei a cega paz, serei o motim!
Não serei um romântico poeta, serei um bicho sádico e ruim!



E para ti? Serei um fim perfeito ou um perfeito fim,
E tudo aquilo que não procuras em mim!
Não te fascina como vim, advim, provim, sobrevim,
Deliras com essa porção de omissão em mim, oh sim, como sinto esse frenesim!
E ficas … desde que tudo seja tanto mais deste modo ou até mesmo assim!

domingo, 13 de julho de 2014

A Anatomia das minhas Projeções (Original)

De tudo o que vai e vem,
De tudo o que vai e não fica,
De tudo o que desconheço mas me fita,
De tudo o que permanece na incerteza de um futuro que talvez não exista,
Teimo em persistir nessa realidade focada muito além do alcance da vista.

Tudo o que cai ergue-se,
Só precisas de mudar de perspectiva.
Muda de referencial antes de cessares o sonho que te domina.
Inverte, roda, distorce, molda, cria.
Vê para além do fixo e imutável, repugna a simetria!
Vibra com o inato modo assimétrico que a complexidade do que é natural propicia.
Não te deixes levar por pressões ou por gananciosas ilusões.
Não te restrinjas ao que poderias ser,
Nem te vejas isolado num presente descrente, cansado desse reflexo ver.

Tu és um ponto numa rede.
Uma presa constringida numa teia sem aranha.
És livre! Mas toma consciência dos limites da tua liberdade!
Observa de um modo amplo aquilo que és, aquilo que foste e tudo aquilo que poderás vir a ser,
Afasta-te do teu pequeno globo e vê-te como um ponto numa rede de decisões,
Uma complexa teia de projeções em diferentes planos, diferentes dimensões,
Diferentes universos estritamente paralelos com o mesmo inicio e uma infinidade de repercussões.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Idiota consciente: Parte I (Original)

Idiota consciente!
Pressente, sente e de seguida mente,
Mente que mente e retira o prazer da inconsciência do crente.
Mente que omite e restringe
Grande parte daquilo que na vida lhe assiste.

Sente-se em plena utopia,
Numa superioridade que a sua idiotice propicia,
Consciente de tudo razão ter e de razão em tudo haver,
A espécie que sofreu uma vil mutação e consciência passou a ter.
Consciência exagerada,
Consciência usurpada,
Consciência inconsciente das sua limitações,
E tenta alcançar inexplicáveis explicações para um cérebro incapaz de as interpretar.
E como um ingénuo paciente acredita que o que sente não corrói,
Mas se o que corrói se ressente não será o Sentir corrosão para quem nada sente?

Homo sapiens sapiens, tentas preencher esse teu vazio com aprovação global,
Procuras as tuas cobaias promotoras do teu ego,
Decalcas, recalcas, sobressaltas, sobre elas, seu pobre animal!
E com complexos de inferioridade vives no teu racional mundo cego.
Aclamando-te de normal!

domingo, 1 de junho de 2014

Nada és para mim! [, até seres tudo!] (Original)



“Nada és para mim, até seres tudo!
A minha alma é um espelho turvo,
E tu, mais um reflexo desmedido de Deus”

Outrora direto, agora mudo!
À tua imagem já não me curvo,
E tu, és mais um vulto que não merece o meu: Adeus!

Ontem reprimo o que hoje saúdo!
O teu toque, agora, é me absurdo,
E tu, mais uma mente possessiva que não vive sem os seus.

Antigamente era forma, atualmente sou conteúdo!
Aos teus ais tornei-me surdo,
E tu, mais um objeto longe da minha escassa coleção de "meus".

Primitivamente um prematuro, hodiernamente um miúdo.
Cortei o drama e as convenções burocráticas, não posso mais ser o churdo!
Fica com Deus e o meu adeus, e todos aqueles que são, temporariamente, teus.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Perdoai-me Padre pois pequei! (Original)



Perdoai-me Padre pois pequei,
Ela veio, eu com ela me levei.
A luz incidiu e eu vi em cárneas sombras marcadas na lividez de uma parede,
O modo como o movimento de silhuetas satisfez esta degradante sede.

O pudico e editado amor publicado por mais um republicano,
A concretização do perfeito sonho Americano.
Sente a minha ironia, repugna e sarcasmo,
Diz-me: 'É esse o “Político Sorriso” que exibes em resposta a um orgasmo?'

Eu posso ser Clyde nessa luta contra a moral e convencional repressão,
Proporcionada por modelos familiares que apelam a tudo o que seja tradição.
E tu, Bonnie, com esses em nada inócuos movimentos serás o meu meio intimo de expressão,
Até que a anarquia  nos separe e tu apontes essa arma demasiadas vezes para mim em vão.
Fora destas hipócritas leis culturais,
Longe destas infundadas e artificiais normas sociais!
Somos marginais que lutam contra um burocrático sistema padronizado,
Centrado num monótono jogo viciado,
Artificial e mal projetado,
Que é a monogamia.