quarta-feira, 4 de maio de 2016

[F]é ! (Original)

Deus, porque me sinto tão sozinho?
Sei que Te trato como se nada fosses pois, em mim, és mero vácuo. [Vazio!]
Mas é assim que também os trato: parto-os, junto os cacos e arrumo-os no mesmo saco. [Adio!]
Visto o casaco e finjo não ver o frio que irradio e ressoa no vidro de mais um copo de vinho.

Assim percorro mais um caminho, uma palpável desgraça, consigo tocá-la com o mindinho.
“Meu filho, quem te magoou? Porque temes calor, afeção, carinho?"
Onde está a minha alma, Baco? Diz-me que há algo entre o palhaço e o velhaco?
Diz-me que, ao menos, sou algo, algo de verdade, e ilumina-me para fora desta cova, este buraco.

Cremei esperança, dilui confiança,
Asfixiei a aliança, enterrei a criança!
Dissequei o encéfalo de um crente,
Procurei a área do neocórtex que estivesse dormente,
[Mas não encontrei!]
No desespero bati com a cabeça na parede incessantemente,
[Mas a resposta ... essa não achei!]
Bati, gritei!
[Ninguém respondeu ou talvez simplesmente não me dei]
Espanquei, berrei ... até os sons começarem harmonizar em Ré,
Ré ... uma calma melodia de embalar em Ré!
Mas ainda não tenho fé!
Deus, por vezes é escusado permanecer em pé.

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